11
maio
2012
Dando continuidade à publicação das obras de um dos maiores nomes da HQ mundial, a editora Nemo lançou uma nova edição de O homem é bom?, terceiro volume da Coleção Moebius. Fazem parte da edição as histórias “O homem é bom?”, “Dupla evasão”, “Cidadela cega”, “Balada”, “The long tomorrow” e “O universo é bem pequeno”.
A introdução do álbum é do próprio Moebius e em seguida temos a HQ-título, onde o artista rompeu com seu estilo de narrativa e desenho, mas manteve sua qualidade técnica. Publicada originalmente em 1974, acompanhamos a jornada de um homem solitário, “uma espécie de Rambo do espaço”, segundo o autor, vagando por cenários simples e lidando com raças alienígenas.
“Dupla evasão” foi publicada em 1980 e estava ausente de edições anteriores de “O homem é bom?”. É uma história curta onde através de simbolismos somos levados a relacionar o corpo físico e astral à uma relação carcereiro-prisioneiro. “Cidadela cega” também é de 1980, é inspirada nos mitos da Távola Redonda. Moebius explica na introdução que a ideia era fazer uma história otimista, mas inconscientemente fez uma trama mórbida.
“Balada” foi publicada em 1977. Ao tentar produzir em um momento sem inspiração, Moebius encontrou no livro Iluminações, de Rimbaud, o poema “Flor” e no mesmo momento vislumbrou como fazer a nova história. Com o prazo de entrega prestes acabar, fez um final abrupto, mas ele gostaria de ter elaborado mais a trama.
De 1976, “The long tomorrow” foi produzida quando o artista trabalhou na produção cinematográfica de Duna. Ao ver um story-board de Dan O’Bannon sobre um detetive ao mesmo tempo clássico e futurista, Moebius resolveu desenhar o que viu com a maior liberdade possível, fugindo das fórmulas do gênero. “O universo é bem pequeno” encerra o álbum e também é de 1976. A ideia aqui era somente narrar por narrar, sem almejar algum resultado. O saldo é de um humor sombrio que surpreende.
Após publicar em 2011 os álbuns Arzach e Absoluten Calfeutrail & Outras Histórias, a editora Nemo nos traz O Homem é bom? Em nova edição, com tradução de Fernando Scheibe, formato europeu, capa dura e papel de alta qualidade. Com histórias que marcaram época foram influência tanto para filmes de Holywood quanto para mangás japoneses.
Artista completo que transitou por diversos gêneros e mídias, Moebius faleceu no último dia 10 de março. Este álbum é uma excelente forma de conhecer toda a força e importância de sua obra.
Você pode adquirir este álbum aqui.
8
maio
2012
Como parte das comemorações do centenário do nascimento do escritor baiano, o Museu da Língua Portuguesa exibe até o dia 22 de julho a mostra “Jorge Amado e Universal”, abordando a vida e a obra de um dos mais importante nomes da literatura nacional. Parte do acervo vem da Fundação Casa de Jorge Amado e outra parte da própria família do escritor.
A mostra é dividida em quatro módulos, cada um deles dedicado a um aspecto da vida do autor. Na impossibilidade de abordar toda a biografia e bibliografia de Jorge Amado, somos convidados a observar as partes de um todo maior, ficando tentados a ler e descobrir mais ao sair da exposição.
No primeiro módulo foram escolhidos nove personagens para representar toda a diversidade da obra de Jorge Amado: Gabriela e Nacib (Gabriela Cravo e Canela, 1958), Dona Flor (Dona Flor e seus Dois Maridos, 1966), Os capitães da areia (Capitães da Areia, 1937), Pedro Arcanjo (Tenda dos Milagres, 1969), Antonio Balduíno (Jubiabá, 1935), Guma e Lívia (Mar Morto, 1936), O Menino Grapiúna (O Menino Grapiúna, 1981), Santa Bárbara (O Sumiço da Santa, 1988) e Quincas (A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água, 1961). Trechos dos livros em que estes aparecem, datiloscritos corrigidos à caneta, material audiovisual, ilustrações nas obras e até mesmo produtos diversos com os nomes destes personagens nos ajudam a entender a importância destas criações no imaginário cultural brasileiro.
O módulo ainda conta com uma instalação com mais de 5.000 de fitas semelhantes àquelas do Senhor do Bonfim presas nas paredes. Em cada uma delas está o nome de um personagem que Jorge Amado usou em seus livros, sejam eles fictícios ou reais.
A vida política do autor é o tema do segundo módulo. Jorge Amado era um comunista assumido e chegou a ser deputado federal por São Paulo. Já o terceiro módulo trata de miscigenação brasileira tão bem representada nas obras do escritor. O colorido da instalação é fruto de uma pesquisa realizada em 1976.
O quarto módulo nos traz a sensualidade e malandragem sempre presentes nas páginas do autor, nos permitindo vislumbrar somente trechos de seus textos através de rachaduras nas paredes. O módulo seguinte nos faz visualizar a Bahia tão como foi retrata por Jorge Amado, com destaque para o cacau e o mar.
O último módulo é chamado de “Casa dos Milagres” e nele estão expostos objetos pessoais do autor, desde cartas até suas famosas camisas floridas. Há ainda um espaço para declarações de parentes, amigos, intelectuais, críticos e até anônimos, mostrando o alcance deste escritor que transitava tão naturalmente entre o popular e o erudito.
O alcance internacional de Jorge Amado também tem seu espaço. Publicado em mais de 50 países e traduzido para 49 idiomas, diversos livros em vários estão expostos na parte final da mostra.
Presente em livros, revistas, novelas, séries e filmes, Jorge Amado e seus livros já são parte da nossa cultura e esta exposição nos dá uma bela amostra de seu legado.
Os livros deele podem ser encontrados aqui.
SERVIÇO
Museu da Língua Portuguesa
Estação da Luz
Praça da Luz, s/nº
Centro – São Paulo – SP
(11) 3326-0775
museu@museulp.org.br
Horários
Bilheteria: de terça a domingo, das 10h às 17h.
Museu: de terça a domingo, das 10h às 18h.
Não abre às segundas-feiras.
Ingresso: R$6,00
4
maio
2012
Gosta de histórias de aventura? E de conspirações envolvendo viagens no tempo? Talvez prefira uma trama envolvendo política e vingança ou o cenário desolado de uma cidade do Velho Oeste. Seja qual for o seu gênero literário favorito, tenha certeza de que ele estará dentro do novo livro do Thomas Pynchon, “Contra o dia”.
Porém, ao mesmo tempo em que os grandes gêneros da Literatura nos são apresentados no decorrer das páginas, os mesmos são desconstruídos ao terem suas convenções abaladas. O esboço de eixo central desta obra se inicia quando o anarquista Webb Traverse é morto pelo magnata Scarsdale e seus 4 filhos decidem se vingar. Mas logo somos apresentados aos Amigos do Acaso, grupo que viaja pelo mundo cumprindo estranhas missões, como capturar viajantes do tempo e despachá-los de volta para o futuro.
Isso é somente o início de uma trama onde não há protagonista ou trama principal. O enorme número de personagens inclui, nas palavras do próprio autor: “anarquistas, balonistas, jogadores, magnatas corporativos, entusiastas de drogas, inocentes e decadentes, matemáticos, cientistas loucos, xamãs, físicos, ilusionistas, espiões, detetives, aventureiros e assassinos profissionais”.
A narrativa acompanha essa complexidade de personagens, mudando de estilo conforme temas e elementos se acumulam: espiritualidade, história, jazz, ciência, paranoia, psicologia, entre outros, nos fazendo passar por cenas poéticas, extravagantes e até mesmo enciclopédicas.
Tamanha gama de tramas, personagens e temas refletem-se no tamanho do livro. São 1.088 páginas distribuídas em uma obra literalmente de peso, com praticamente 1,5kg. Além disso, a proposta e estilo não usuais obrigam o leitor a literalmente estudar a obra, tecendo anotações sobe o que lê e indo e voltando pelas páginas o tempo todo para melhor compreendê-la.
Thomas Pynchon nos convida a entrar de cabeça em uma obra ao mesmo tempo erudita e pop, clássica e moderna e sempre surpreendente. A recompensa de tão longa e aparentemente difícil jornada é o resgate da capacidade de sonhar sem limites, algo caro e raro atualmente.
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2
maio
2012
Desde que o samba é samba é o novo romance de Paulo Lins. O livro tem como protagonista o próprio samba e nos conta três nascimentos muito importantes para o Rio de Janeiro e para o Brasil: do samba moderno, da primeira escola de samba brasileira e dos primeiros terreiros de umbanda no país.
Ambientado no final da década de 20 e mantendo o estilo narrativo de seu livro mais famoso, Desde que o samba é samba se baseia em estudos históricos sobre o primeiro bloco de carnaval do país, a escola de samba Deixa Falar. Ela desfilou pela primeira vez em 1929, na Praça Onze de Junho, no Estácio, conhecido como o berço brasileiro do samba. Já a umbanda teria sido criada em 1908, também no Rio de Janeiro, pelo médium Zélio Fernandino de Moraes, sob a influência da entidade Caboclo das Sete Encruzilhadas.
A trama se inicia contando a vida do cafetão e típico malandro carioca Brancura, que se tornará um dos fundadores da escola de samba. Ele apaixona-se pela prostituta Valdirene em suas andanças pelo Estácio, na época a zona de prostituição da cidade. Estas duas personagens terão participação crucial na “criação” do novo ritmo musical e entrarão em contato com diversas personalidades da cultura brasileira: Ismael Silva, Pixinguinha, João da Baiana, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, entre outros. Tudo acontecendo em uma história ricamente baseada na realidade histórica do início do século XX, quando a capital federal ainda era o Rio de Janeiro.
Toda essa fidelidade histórica pode ser comprovada na extensa bibliografia consultada pelo autor e creditada ao fim do livro. Houve também pesquisa de campo, com o autor visitando zonas de prostituição no Estácio e na Lapa e terreiros de umbanda.
Com sua linguagem cheia de sexo, violência, drogas, corrupção e malandragem, Paulo Lins repete seu estilo já consagrado em Cidade de Deus, desta vez nos envolvendo um uma trama que mostra um momento decisivo para a cultura brasileira, tanto por fazer do samba nossa maior identidade musical como por estabelecer o carnaval como uma das festas populares mais famosas do mundo.
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30
abril
2012
Está em cartaz nos cinemas o filme “Diário de um jornalista bêbado”. Jhonny Depp é a estrela, interpretando jornalista Paul Kemp. Na trama, Kemp está cansado do ritmo de Nova Iorque e aceita mudar-se para Porto Rico a fim de trabalhar em um jornal local, o “The San Juan Star”. A ilha é paradisíaca e o ritmo de vida local é calmo até demais para os padrões do jornalista, que passa seus dias bebendo rum.
Mas tudo começa a mudar quando Kemp se apaixona por Chenaut (interpretada por Amber Heard), noiva de um dos maiores e inescrupulosos empresários da cidade, Sanderson (Aaron Eckheart). O empresário planeja transformar Porto Rico em um paraíso capitalista, nem que para isso tenha que passar por cima da população local. Então Sanderson contrata Kemp para escrever um artigo totalmente favorável sobre a empreitada e o jornalista se vê sob um dilema ético: ajudar o empresário em troca de um ótimo pagamento ou usar de todas suas descobertas para denunciá-lo? Enquanto não se decide, Kemp passa os dias entre a população local, cada vez mais embriagado e cruzando as fronteiras da imparcialidade jornalística.
O filme é baseado no livro “Rum: diário de um jornalista bêbado”, de Hunter S. Thompson. Ele é conhecido como o papa do Jornalismo Gonzo, estilo onde o jornalista envolve-se profundamente com a ação de produzir uma matéria, abandonando totalmente a pretensa imparcialidade que o Jornalismo procura ostentar. Também não há preocupação em deixar claro se o que é relatado é ficção ou não.
Apesar de se apresentar como um romance, “Rum…” é profundamente baseado nas experiências do próprio Thompson. Com 22 anos, ele mudou-se para Porto Rico para trabalhar em um jornal local. Assim como seu alter ego Paul Kemp, ele também tinha um enorme apreço por escrever, mulheres e bebidas alcoólicas em geral.
Tanto no filme quando no livro, temos um jornalista que ainda vê seu ofício com boa dose de romantismo. Em sua mudança para a ilha em busca de paz e sossego, acompanhamos o conflito interno entre o que é ser profissional, ser ético e ser imparcial. E a decisão tomada vai influenciar tanto a vida quanto a obra deste autor.
Você pode adquirir esta obra aqui.
27
abril
2012
“A propaganda põe a gente pra correr atrás de carros e roupas, trabalhar em empregos que odiamos para comprar merdas inúteis.
Somos uma geração sem peso na história, sem propósito ou lugar
Não temos uma guerra mundial
Não temos a grande depressão
Nossa guerra é espiritual
Nossa depressão, são nossas vidas
Fomos criados pela TV para acreditar que um dia seríamos milionários e estrelas de cinema,
mas não somos.
Aos poucos tomamos consciência do fato,
e estamos muito, muito putos!”
Um funcionário de uma seguradora não encontra mais o menor sentido em sua vida e começa a frequentar grupos de apoio, em uma tentativa de ao menos sentir alguma coisa. Tudo parecia correr bem até ele descobrir que havia outra pessoa fingindo ter problemas: Marla Singer. A simples presença dela o lembrava que também era um farsante. Participar destes grupos não adiantava mais.
Foi então que em uma de suas viagens ele conheceu o garçom e projetista de filmes chamado Tyler Durden. Deste encontro aleatório entre dois homens miseráveis e sem perspectiva surge uma espécie de clube secreto, onde eles e outros homens lutam uns contra os outros. Todos fins de semana ele se reúnem no porão de um bar fechado para um momento de liberdade total. A prática logo fica conhecida como Clube da Luta.
Eternizado no cinema por Brad Pitt e Edward Norton, em “Clube da Luta” o escritor Chuck Palahniuk nos faz ver de outra maneira a violência urbana em nossa sociedade. Muito mais do que brigar, estes homens angustiados vêem no que fazem um ritual de purificação e redenção da mediocridade cotidiana que tomou conta de suas vidas.
A Editora LeYa traz de volta esta obra que conquistou milhares de leitores pelo mundo todo e tornou Tyler Durden um ícone da anticultura americana. Em uma nova edição com tradução de Cassius Medauar, o livro ainda tem um posfácio inédito de Palahniuk.
Adquira seu exemplar aqui.
25
abril
2012
Hoje, 25 de Abril, nossa recém-inaugurada Loja de Artes recebe um dos mais importantes nomes da arte contemporânea brasileira, Iran do Espírito Santo, para o lançamento de seu mais novo livro.
Nascido em Mococa, interior de São Paulo, é formado em Artes Plásticas pela FAAP (Fundação Álvares Penteado). Suas obras fazem parte de coleções de museus como o MoMa, em Nova York, e do Instituto de Arte Contemporânea de Inhotim. Esteve presente em eventos não só em nosso pais, mas também em Veneza, Istambul, Montreal e do Mercosul. Ele também participou de exposições em importantes museus como a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Irish Museum of Modern Art em Dublin e o Museo Nazionale delle Arti del XXI Secolo, em Roma.
Fruto de uma parceria entre a SCQ Galería e a Dardo Editorial, o livro é um catálogo bilíngue espanhol-português, com textos de David Barro e Philip Larrat-Smith. Ele documenta a exposição de Iran na SCQ Galería, em 2010, e traz também um ensaio fotográfico realizado no estúdio do artista pelo fotógrafo Mauro Restiffe.
A SCQ Galería está localizada na Galícia e dedica-se exclusivamente à Arte Contemporânea, expondo artistas das mais diversas partes do mundo.
Livro: Iran do Espírito Santo
Textos: David Barro e Philip Larratt-Smith
Coeditoras: SCQ Galería e Dardo Editorial
Preço: R$ 75,00
Páginas: 132
Capa dura
Noite de autógrafos
Quarta-feira, 25 de abril, a partir das 19h
Livraria Martins Fontes Paulista (Loja de Artes)
Av. Paulista, 509 – Em frente à Estação Brigadeiro do Metrô
(estacionamentos conveniados: Rua Manoel da Nóbrega, 88 e 95 – 1ª hora gratuita)
23
abril
2012
Em 2023, Paris está vivendo um momento político conturbado. As eleições aproximam-se e o atual governo fascista tece diversas manipulações para continuar no poder. Mas uma nave vinda do século passado e uma pirâmide voadora sobre os céus da cidade trazem soluções e problemas que ninguém esperava.
Dentro da nave está Nikopol, um homem condenado a 30 anos de hibernação por combater o regime. Dentro da pirâmide, deuses egípcios buscam uma forma de conseguir combustível para sua nave, já ultrapassada. Anúbis, líder dos deuses, tenta negociar a obtenção do combustível, mas Hórus se rebela e encarna dentro de Nikopol.
Como se tudo isso já não bastasse, temos ainda uma estranha mulher de cabelos e lágrimas azuis, alienígenas multidimensionais, conglomerados multinacionais e até mesmo cineastas experimentais. Em uma trama de intriga política, realismo fantástico e ficção científica, essa gama de personagens interage de diversas formas, gerando desde mortes enigmáticas à amores condenados.
A Trilogia Nikopol teve suas duas primeiras partes, “Feira dos Imortais” e “A Mulher Armadilha”, lançadas separadamente há mais de 30 anos, sem sua conclusão. Agora a obra ganha uma versão completa, com a parte final “Frio Equador”, lançada pela Editora Nemo. Além de manter o formato original, a edição ainda vem com capa dura de luxo e um encarte especial.
Com tradução de Fernando Scheibe, esta HQ de cores frias e traços rebuscados retrata perfeitamente um futuro decadente e conturbado, sendo considerada por muitos a obra máxima de Enki Bilal. Imperdível para os fãs de HQ, ficção científica e fantasia em geral.
Veja abaixo o book trailer:
5
abril
2012
“Todo suvenir de amor que a gente tinha, os prêmios e os destroços dessa relação, que nem confete na sarjeta depois que o desfile passa, o tudo e o não sei que mais chutado para o meio-fio. Estou largando esta caixa toda de volta na sua vida, Ed, cada pertence do eu com você. Vou largar esta caixa na sua varanda, Ed, mas é você, Ed, quem está sendo largado.”
Lemony Snicket, autor da coleção Desventuras em Série (400 mil livros vendidos no Brasil), é o pseudônimo de Daniel Handler, que agora lança um romance juvenil. Por isso a gente acabou trata, com a comicidade típica do autor, de uma situação difícil pela qual todos um dia irão passar: o fim de uma relação amorosa e toda a angústia, tristeza e incerteza que essa vivência pode gerar.
Min Green e Ed Slarteron estudam na mesma escola e, depois de apenas algumas semanas de convívio intenso e apaixonado, acabam o namoro. Depois de sofrer muito, Min resolve, como marco da ruptura definitiva, entregar ao garoto uma caixa repleta de objetos significativos para o casal junto com uma carta falando sobre cada um desses objetos e do episódio que ele representou, sempre acrescentando, ao final, uma nova razão para o rompimento. Essa carta é o texto de Por isso a gente acabou, que é, assim, carregado de um tom informal e tragicômico — características da personagem — e traduz com um misto de simplicidade e profundidade a história de uma separação.
Imerso neste universo adolescente, o leitor conhecerá a divertida personalidade de Min, uma garota apaixonada por filmes cujo sonho é ser diretora de cinema, e as idas e vindas deste romance, desde o dia em que os dois conversaram pela primeira vez até o instante em que tudo acabou.
A artista Maira Kalman, autora de diversas capas da revista The New Yorker, ilustrou cada um dos objetos da narrativa, trazendo cor e descontração a esta história dolorida.
4
abril
2012
O novo filme do diretor David Cronenberg, “Um Método Perigoso”, recém-estreado no Brasil, narra, a partir do livro “The Talking Cure” de Christopher Hampton (esgotado, da Faber and Faber UK, 2002), a juventude do famoso psiquiatra Carl Jung (Michael Fassbender), enquanto este desenvolve e aprimora seus métodos e teorias inovadores no tratamento da paciente russa Sabina Spielrein (Keila Knigthley), durante o período em que conheceu e conviveu com o então controverso doutor Sigmund Freud (Viggo Mortensen) – cujo método também era grande novidade à época.
Tanto Jung quanto Freud se entusiasmaram quando tomaram ciência das teorias um do outro. Em princípio, começaram a se relacionar com bastante intensidade – dado que parece normal, uma vez que estavam desbravando os caminhos do conhecimento da mente. A correspondência entre os dois chega a 359 cartas em 7 anos, que foram compiladas e servem, hoje, como material de estudo e de apoio para quem se interessa pelas teorias iniciais da psicologia analítica, “Correspondência completa de Sigmund Freud e Carl Gustav Jung (1906-1914)”, organizado por Willian McGuire (Imago, 1993).
E por falar em correspondências, seria um crime não lembrar do livro “Diário de uma simetria” (Paz e Terra, 1984), com o qual Aldo Carotenuto causou grande alvoroço com a análise documental das – até então inéditas – cartas trocadas entre Spielrein, Jung e Freud.
A amizade dos doutores, contudo, não dura muito tempo. Ao final de 7 anos, as diferenças de pensamento entre os dois já são tão latentes que eles preferem se separar. Enquanto o psiquiatra caminha com sua teoria de Psicologia Analítica, pesquisando fenômenos espirituais, o inconsciente coletivo e a sincronicidade – cujas obras foram reeditadas pela Vozes, em 2011; Freud firma e esclarece os pontos de sua teoria de base em traumas sexuais – cujas obras completas foram traduzidas direto do alemão na publicação da Cia. Das Letras de 2010.
Nesta lista de indicações, a autobiografia de Jung, “Memórias, Sonhos e Reflexões” (Nova Fronteira, 2006), não poderia de faltar por ser um texto que apresenta a vida do pensador na forma do que podemos chamar de autoanálise.
Mas, apesar da personagem principal do filme ser Jung, oque chama mais atenção são as perversões que permeiam todas as relações sociais. Por esse motivo, e para encerrar, indico também o livro “Sexualidade e Individuação” (2007), no qual Carlos Alberto Correa Salles faz um traçado das relações humanas tendo como eixo a necessidade de o indivíduo ser aquilo que se é em todos os aspectos, inclusive e principalmente na sexualidade.












